LIMITES DA LINGUAGEM

Limites da Linguagem
"Aquilo de que não se pode falar, deve-se calar".
Ludwig Wittgenstein

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Dilma poderia criar a bolsa psicólogo

Ouvi uma frase sobre a corrida presidencial que me pareceu perfeita: "Em 2002, achei que o PT estava despreparado para assumir o governo. Mas eu não sabia que o PT estaria agora tão despreparado para deixar o governo". 
É uma avaliação tão cruel quanto verdadeira. Revela também o grau de subdesenvolvimento institucional do país. É claro que não há risco de disrupção, mas parece um pouco incompatível com a regra democrática que um partido entre em desespero frenético apenas porque existe a possibilidade de sair do poder a partir de 1º de janeiro de 2015. 
 A aparição do ex-presidente Lula, suado e descabelado, fazendo uma manifestação em frente à Petrobras é a síntese do clima atual no PT. E nem está claro que Dilma Rousseff perderá a disputa contra Marina Silva (aliás, a presidente está à frente nas pesquisas). Mas em Brasília é possível respirar um certo pânico no ar. 
 Só na capital da República há mais de 20 mil cargos de confiança, todos ocupados pelo petismo e adjacências. Uma derrota de Dilma Rousseff obrigará essas pessoas e suas famílias a deixarem a cidade. Por baixo, serão de 40 a 50 mil desamparados. Voltarão a seus Estados para pedir trabalho na iniciativa privada ou em algum governo, prefeitura ou sindicato sob o comando do PT. 
 Serão milhares de dramas pessoais. Em Harvard, nos EUA, a universidade oferece um serviço gratuito de atendimento psicológico a estudantes estrangeiros que passam um tempo por lá e depois têm de retornar para seus países. Dilma poderia pensar no assunto. Uma "bolsa psicólogo" ajudaria a manter mais calmas as pessoas ao seu lado. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

OS DESILUDIDOS DA REPÚBLICA

MARCO ANTONIO VILLA
A proximidade das eleições permite uma breve reflexão sobre o processo de formação de uma cultura política democrática no Brasil. A República nasceu de um golpe militar. A participação popular nos acontecimentos de 15 de novembro de 1889 foi nula. O novo regime nasceu velho. Acabou interrompendo a possibilidade de um Terceiro Reinado reformista e modernizador, tendo à frente Isabel como rainha e chefe de Estado e com os amplos poderes concedidos pela Constituição de 1824.
A nova ordem foi edificada para impedir o reformismo advogado por Joaquim Nabuco, Visconde de Taunay e André Rebouças, que incluía, inclusive, uma alteração no regime de propriedade da terra. Os republicanos da propaganda — aqueles que entre 1870, data do Manifesto, e 1889, divulgaram a ideia republicana em atos públicos, jornais, panfletos e livros — acabaram excluídos do novo regime. Júlio Ribeiro, Silva Jardim e Lopes Trovão, só para recordar alguns nomes, foram relegados a plano secundário, considerados meros agitadores.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O QUE É UM CLÁSSICO

Ítalo Calvino em "Por que Ler os Clássicos" relaciona vários preceitos que podem caraterizar um livro clássico. São os livros definitivos que nunca cansamos de reler e cada leitura é uma nova descoberta.
Assim: 
1- Os clássicos são aqueles livros dos quais em geral, se ouve dizer: "estou relendo" e "
nunca estou lendo".
2- Um  clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha de dizer.
3-Um clássico é um livro que vem antes de outros clássicos;mas quem leu antes os outros e depois lê aquele, reconhece logo o seu lugar na genealogia.
E assim vai...
Para mim a definição mais simples é aquela: "Clássico é um livro que suporta uma segunda leitura com surpresa, com maravilhamento e com novas descobertas estéticas, na trama e na complexidade dos personagens.
Como leitor compulsivo, vítima desta neurose pela palavra escrita, pela palavra que nos fala Sartre tenho relido meus livros prediletos. Também livros que numa primeira leitura apesar de serem clássicos não me moveram ao entusiasmo nas primeira leitura na releitura me levaram ao entusiasmo. Modifiquei eu, evolui no meu  gosto; sou capaz de apreciar como  um vinho melhor, apreciar a estranheza e o inusitado.
Pois dos clássicos que resistiram a segunda leitura estão os de Thomas Mann, Proust,Virgínia Woolf, Henry James, todo o Machado de Assis, o Tolstoi de Ana karenina, Dostoievski e tantos outros.
Mas tem os que na primeira leitura não me atingiram e que hoje modifiquei completamente meu conceito e hoje coloco como grandes clássicos.
Dentre eles cito o Grande Gatsby de F.Scott Fitzgerald e Pais e Filhos de Ivan Turgeniev.Que grandes livros!!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

ACLAMAÇÃO DE FELIPE VI O NOVO REI DA ESPANHA



A Espanha escreveu hoje uma belíssima página da sua recente história democrática: a sucessão normal por abdicação do rei Dom  Juan Carlos I a seu filho Felipe, que na longa tradição da monarquia espanhola, que se perde em mil anos, terá por nome Felipe VI. Só nisto vemos o papel da tradição.Muito bem preparado o  novo rei;venceu todas as etapas de uma educação humanística e castrense. Em seu papel constitucional atuará como árbitro moderador, conselheiro e representante da nação. Sua função será deixar jogar o jogo político e dar sempre o exemplo de dedicação e trabalho para promover os valores de um país milenar,  plural multilingüe e com desafios enormes. Ao  contrário do que diz a imprensa caolha a monarquia espanhola, como todas as europeias é popular e não se pensa mudar para a república.A monarquia não é uma excrescência histórica é alma e a unidade de uma nação.Não se vaia um rei porque está acima das lutas partidárias.Seu papel é dar exemplo e ter o compromisso de toda uma vida o serviço à pátria. Cabe ressaltar, por último o papel crucial do rei abdicante na redemocratização espanhola e o papel preponderante da Rainha Sofia que nos 39 anos de reinado de Don Juan Carlos I foi uma figura chave pela popularidade, discrição e papel de educadora do príncipe, hoje rei Dom Felipe VI.



VIVA A ESPANHA!
VIVA FELIPE VI!

terça-feira, 10 de junho de 2014

A MONARQUIA DA ESPANHA- Artigo de Ricardo Setti

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Manifestação em Madri pede um referendo e a instalação da república. Perto de outras, gigantescas, as atuais manifestações são pequenas — e um percentual minúsculo dos espanhóis considera a monarquia como um dos principais problemas do país (Foto: Jose Luis Roca)
Milhares de pessoas têm saído às ruas da Espanha após a abdicação do Rei Juan Carlos em favor de seu filho, o príncipe Felipe, pedindo o fim da monarquia e a instauração de uma república, por meio de um referendo.
Manifestações já aconteceram em meia centena de cidades, e ainda deverão continuar, muito provavelmente, até o próximo dia 18, quando o atual príncipe das Astúrias será proclamado como Rei Felipe VI pelas Cortes, o Parlamento espanhol, sua mulher, Letícia, como Rainha.
Tenho passado muito tempo na Espanha de uma década para cá, devido a questões familiares. Com base nisso, no muito que li, vi e ouvi em muitos anos farei agora uma previsão arriscada, mas que assumo, sobre o que vai acontecer: NADA.
Para começar, manifestações como as que vêm ocorrendo, de 10 ou 20 mil pessoas, significam muito pouco num país com um povo de longa trajetória combativa. O movimento dos “indignados” em 2011 — que era uma espécie de “contra tudo isso que aí está”, e passou por cima de partidos políticos e correntes ideológicas — mobilizou massas de milhões de pessoas em pelo menos duzentas cidades.
Por mais que a monarquia seja uma excrescência, uma excentricidade, algo inteiramente fora do tempo, a realidade é que vários dos países mais ricos e democráticos do mundo vivem sob uma monarquia constitucional: o Reino Unido, naturalmente, mas também a Holanda, a Suécia, a Noruega, a Dinamarca, a Bélgica, o Japão…

A rendição do último sultão de Granada, Boabdil (à esq.), diante dos reis católicos Fernando e Isabel (Reprodução de quadro do pintor Francisco Pradilla)
No caso da Espanha, o país vive sob uma monarquia virtualmente desde que existe como tal — após a expulsão definitiva dos mouros da Península Ibérica, com a rendição do califa de Granada, Boabdil, às forças dos “reis católicos” Fernando e Isabel, a 2 de janeiro de 1492, e a formação do Reino de Espanha. Os interregnos republicanos foram mínimos ao longo desses 522 anos: a I República durou menos de dois anos (de fevereiro de 1873 a dezembro de 1874) e, após a abdicação do Rei Alfonso XIII, avô de  Juan Carlos, em abril de 1931, apenas até o final da Guerra Civil, em abril de 1939.
Antes de mais nada, cabe relembrar que o assunto não é, de forma alguma, prioridade para a sociedade espanhola — longe disso. As manifestações nas ruas, que já diminuíram de intensidade, não refletem a opinião pública. Sim, é verdade que a empresa especializada Metroscopia acaba de publicar uma pesquisa de opinião pública revelando que 62% dos espanhóis concordam em que deve haver uma consulta popular “em algum momento” sobre se o povo deseja continuar com a monarquia.
Mas outra sondagem recém-divulgada pelo respeitado Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) mostra que um percentual ínfimo dos cidadãos — miseráveis 0,2% — inclui a monarquia entre os principais problemas da Espanha, contra sonoros 80,8% que consideram a questão mais grave o desemprego, 35,5% a corrupção e 28,6% os problemas econômicos.
Cabem outras observações. As elites não desgostam da monarquia — pelo contrário. O Partido Popular, no poder desde dezembro de 2011, com folgadíssima maioria absoluta no Congresso de Deputados e no Senado, não é ao pé da letra monarquista, mas sente-se muito confortável com a Coroa. Tanto é que, esta semana, o presidente de governo Mariano Rajoy declarou que a monarquia espanhola tem um apoio “muito majoritário” da sociedade e o futuro rei, Felipe VI, “tem grande apoio popular”, advertindo ainda que quem pretender alterar o sistema político tem que “respeitar o império da lei”.
E aí, “respeitar o império da lei”, existe um paredão constitucional difícil de ultrapassar. O artigo 168 da Constituição da Espanha — aprovada, de forma inédita, por consenso em 1978, inclusive pelo hoje extinto Partido Comunista e pelos partidos nacionalistas regionais — prevê que qualquer alteração na forma de governo deve obter a aprovação de dois terços dos 350 deputados e dos 266 senadores, contra os usuais três quintos para reformar outros itens.
Mais: em tal caso, as Cortes — o Parlamento — serão imediatamente dissolvidas após a reforma, e o novo Parlamento eleito deverá novamente examinar a reforma aprovada, e igualmente dar seu “sim” por dois terços dos membros. Finalmente, o texto ainda precisaria ser submetido a um referendo popular.
Um sinal de tácita concordância com a monarquia está o fato de que as diversas leis orgânicas (equivalentes às nossas leis complementares, que exigem aprovação de metade mais um dos integrantes de cada Casa do Parlamento) necessárias a formalizar a abdicação do Rei, a ascensão de Felipe ao trono e o papel  institucional que caberá ou não à atual Rainha Sofia, sem contar se o ex-Rei manterá ou não a imunidade judicial de que ainda desfruta, deverão receber os votos não apenas do PP, mas dos socialistas e de outros grupos, chegando a 86% dos deputados — percentual que poderá subir para mais de 90% com a possível concordância até de parte dos nacionalistas catalães.
A maioria dos nacionalistas bascos, em surpreendente decisão, não vão votar contra — limitar-se-ão à abstenção.
O principal problema da monarquia foi ter vindo à força, tecnicamente restaurada pelo ditador Francisco Franco em 1969, muito depois da vitória fascista na Guerra Civil iniciada com um levante militar contra a República em julho de 1936. Naquele 1969, ele designou o jovem Juan Carlos seu sucessor com o título de “príncipe de Espanha”. O ditador fizera um acordo, anos antes, com o pai do príncipe, dom Juan de Borbón, adversário acérrimo da ditadura, de forma a orientar a educação do menino de 10 anos que nascera e até então vivia no exílio em Roma.

Juan Carlos, junto a um pequeno grupo de garotos da elite espanhola, foi educado fora das escolas oficiais, em uma mansão isolada no interior do país, por preceptores designados por Franco, entre os quais, curiosamente, havia intelectuais liberais, alguns dos quais o auxiliariam, bem mais tarde, a restaurar a democracia.
Essa “origem maldita” foi devidamente limpa a partir do momento em que o Rei assumiu a chefia do Estado com a morte do ditador, em novembro de 1975. O jovem Rei herdou poderes absolutos, mas aos poucos foi se livrando da camisa de força que o franquismo impusera a ele — uma série de mecanismos o impedia de substituir figuras-chave do regime, a começar do chefe de governo, que ele constrangeu a renunciar dando uma entrevista sobre sua incompetência para a hoje extinta revista norte-americana Newsweek –, trouxe para chefiar o governo um ex-dirigente da TV pública de quem se aproximara, Adolfo Suárez, então com 42 anos, e com ele iniciou um processo de liberalização que incluiu a antes inimaginável auto-dissolução das Cortes franquistas.
Seguiram-se eleições diretas, liberdade de imprensa, liberdade sindical, volta dos exilados, uma Constituinte e uma Constituição muito avançada, aprovada inclusive pelo Partido Comunista e pelo Partido Socialista Operário Espanhol, à época bastante mais à esquerda do que é hoje.
Por consenso, resolveu-se manter a monarquia, agora com poderes limitados e em grande parte simbólicos — com exceção do comando supremo das Forças Armadas, que cabe ao Rei, cuja formação incluiu cursar e concluir as academias militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea.
Posteriormente, a Carta viu-se aprovada por 87,8% dos votantes em referendo.
O intenso e discreto trabalho do Rei em favor da democracia viu-se coroado com sua firme atitude contra o golpe de Estado tentado por um grupo de militares e integrantes da Guarda Civil em fevereiro de 1981. Da mesma forma, a monarquia espanhola é frugal: a Casa Real espanhola custa algo como 8 milhões de euros por ano (pouco mais de 24 milhões de reais), contra 46,6 milhões da britânica, 40 milhões da holandesa, 28 da Noruega, 12 milhões na Dinamarca e Suécia.
Segundo informações da direção do PP, em comparação a Presidência da Itália gasta 228 milhões de euros anuais, a da França, 113 milhões, a da Alemanha 20 milhões e a de Portugal 16 milhões.

O Rei não dispõe de um grande patrimônio pessoal, e nele não se inclui nenhum castelo ou palácio. O Palácio de la Zarzuela, residência oficial, é edifício público — o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, hóspede frequente, o descreveu certa vez como “semelhante a uma casa de fazenda do Brasil” –, e o espetacular Palácio Real, onde se realizam algumas cerimônias públicas, é um museu.
O belo e agradável palácio de Marivent, em Palma de Mallorca, onde a família real passa férias de verão, também integra o patrimônio do país.
O bem mais valioso do que poderia ser o patrimônio real, o iate Fortuna, que Juan Carlos ganhou de presente dos empresários das Ilhas Baleares por sempre passar em Mallorca, uma delas, suas férias de verão, o Rei transferiu para o patrimônio público, e ele terminou sendo entregue há dois anos à Fundação Turística e Cultural das Islas Baleares (Fundatur). Custou 18 milhões de euros e, rebatizado Foners, está à venda por 8 milhões.
O príncipe Felipe, futuro Rei Felipe VI, com a mulher, Letizia, e as filhas Sofia (esq.) e Leonor (Foto: heraldo.es)
O papel do Rei e seu estilo relativamente modesto de vida levou muitos espanhóis — alguns dos quais das regiões fortemente nacionalistas Catalunha e País Basco — a se declararem, como tantas vezes ouvi, “não monarquista, mas juancarlista“. Seu prestígio desabou com o famoso episódio da caçada de elefantes na África, viagem durante a qual foi acompanhado por uma bela princesa alemã 30 anos mais jovem com o qual mantém uma relação próxima há alguns anos.
Por isso, caberá ao novo Rei conquistar a confiança dos espanhóis com sua atuação. Felipe tem condições para isso. É extremamente preparado: estudou na mesma escola de Madri frequentada hoje por suas duas filhas, Leonor e Sofia, fez o colegial no Canadá e, posteriormente, formou-se em Direito na Universidade Autônoma de Madri, realizou especializações em economia e obteve um mestrado em Relações Internacionais pela Universidade de Georgetown, em Washington, nos Estados Unidos.
Ostenta um casamento harmonioso com a ex-jornalista Letícia Ortiz e jamais foi alvo de qualquer notícia constrangedora em sua vida adulta — sendo que a imprensa de fofocas da Espanha é uma das mais ativas e maldosas do planeta. Poliglota, desempenha missões especiais há anos e tem bom relacionamento com dirigentes de numerosos países.
“A monarquia sobreviverá enquanto continuar sendo útil aos cidadãos dos seus respectivos países”, escreveu o respeitado jornalista Juan Luis Cebrian, ex-fundador e hoje presidente da empresa de mídia que edita o jornal El País, o mais importante da Espanha, que acrescentou: “Se este é o critério pelo qual a gestão do rei Juan Carlos teria de ser medida, seria fácil conceder ao monarca um excepcional cum laude“. Cebrian vê no príncipe condições de obter o respeito dos cidadãos.
O próprio jornal escreveu, em editorial publicado hoje, que “a grande maioria dos cidadãos apoia a abdicação de don Juan Carlos, não crê que sua renúncia produza qualquer incerteza e o príncipe Felipe lhes merece uma avaliação superior à do Rei”. De fato, a mesma pesquisa da empresa Metroscopia revela que, numa escala de 1 a 10, o príncipe merece “muito respeito” em grau 7,3. O Rei, aparentemente recuperando a imagem depois da abdicação, alcança nota 6,9.
De sua parte, o jornalista basco Iñaki Gabilongo, um dos mais conhecidos da TV espanhola, afirmou em comentário que a ideia de República vai depender do desempenho do novo Rei, mas também, entre outras medidas, da capacidade dos republicanos de apagar uma imagem ainda muito presente no imaginário espanhol — a de que República, devido ao período de grande agitação política ocorrido entre 1931 e 1936, ainda está muito associada à esquerda revolucionária e a instabilidade.
Por tudo isso, o caminho da Espanha rumo a uma mudança de sistema de governo é longo, muito longo — e incerto.O príncipe Felipe, futuro Rei Felipe VI, com a mulher, Letizia, e as filhas Sofia (esq.) e Leonor
A conferir.
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VAMOS TORCER PELO BRASIL



Nos meus domínios tremula a nossa bandeira.

sábado, 7 de junho de 2014

50 ANOS DO MOVIMENTO DE 1964

Março passado foi pródigo em matérias sobre os 50 anos do movimento de 64, Redentora, revolução, ditadura, como queiram denominar.
Me dou conta que para quem já era adulto naquela época somos parte da história. Vivemos aquele período com as nossas ilusões, com nossos preconceitos, nossos enganos. É pois hora de fazermos uma avaliação daquele período.Quais os bandidos os vilões, os verdadeiros democratas?
Na verdade o país passava por uma grande anarquia, inflação,indisciplina e a crença da esquerda em implantar um movimento estilo Cuba no Brasil. A direita tomou a frente e  deu  o golpe que era para ser transitório e não foi. Fechamento do Congresso,AI-5 repressão implacável a luta armada.
Logo os mais lúcidos se deram  conta que estávamos "numa sinuca de bico". A luta armada, caminho equivocado prolongou a ditadura e a guerra revolucionária foi dizimada com violência. Inocentes caíram e a mentalidade militar justificava a tortura e as mortes.
Houve enganos de todos os lados. Os comunistas hoje defensores da democracia, mártires pagos com gordas indenizações eram os que menos queriam um estado de direito.Era a ditadura do proletariado.
Vocações de lideranças foram sufocadas, deputados foram cassados injustamente, eleições foram arranjadas para o governo ganhar. No fim quem tinha razão foram os que lutaram contra os desmandos da repressão fazendo oposição legal, aproveitando os espaços que sobravam no parlamento e na imprensa.
O resto é história com as Diretas Já e a malograda posse do Tancredo Neves.
No dia 31 de março estava eu na Rua da Praia,  olhando os livros da pequena livraria Coletânea e achei que tudo ia dar em nada.Eu saudei o movimento como necessário, a desilusão veio depois com os atos institucionais.
Naquela noite,voltando para casa, subi a rua da Ladeira e não pude passar pela praça da matriz já tomada por soldados.
Não tenho ilusão sobre a interpretação da história; é sempre falha e contada pelos vencedores.Esperava análises mais isentas. Não é assim.Talvez devamos esperar um século para analisar serenamente aqueles fatos.
O que é a História? Para mim é a narração  dos nossos erros.